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Prêmio Dorothy Stang

Por: Araquém Alcântara

Prezados senhores

Sou fotógrafo viajante, jornalista, poeta e intérprete do Brasil. Há exatos 38 anos caminho por esta terra abençoada e fértil, rompendo serras, montanhas e vales, varando rios e veredas, documentando a tormentosa caminhada de nosso povo.

Incansavelmente, apaixonadamente.

Foi na Mata Atlântica, nas selvas da Amazônia, no agreste do cerrado e na aridez da caatinga que dei forma ao meu modelo de universo, à minha matriz criativa. Lutar com palavras e fotografias por uma nova ética, uma nova consciência planetária. Arte como agente transformador, resultado de uma profunda verdade interior, de um compromisso em defesa da vida.

Já andei tanto quanto Rondon ou Villas Bôas e me sinto autorizado – por tanta poeira que já tirei dos olhos – a gritar minha revolta aos quatro cantos.

Hoje percorro dois, três mil quilômetros na beira da floresta e só vejo um paredão cinza de fumaça, o cheiro da terra calcinada, o cheiro de bichos mortos, o gado pastando em áreas desmatadas, as carvoarias engolindo madeira, o garimpo sangrando a terra, a soja avançando pela Amazônia. E o que é pior: não vejo nenhuma prosperidade.

Este país tem nome de árvore e está destruindo todas elas em nome da ganância e do imediatismo. Toda árvore deveria ser considerada um patrimônio moral e um bem estratégico do país. As matas de araucária foram dizimadas e só resta um por cento de pé; da Mata Atlântica já foram 93 porcento, do cerrado 45 porcento, da Amazônia 17 porcento. Com as mudanças climáticas e o atual ritmo de desmatamento, prevêem os cientistas que metade da grande floresta será derrubada até 2030.

O tempo ficou curto. No máximo em cinco anos, tamanha destruição pode desequilibrar a distribuição dos recursos hídricos em toda a América do Sul.

Somos depositários de um dos mais importantes patrimônios da humanidade, um espaço de fundamental importância para a sobrevivência da humanidade. Já deveríamos ter assumido a recuperação dessas florestas há mais de duas décadas.

Os cientistas e estudiosos dizem que é urgente a implantação de uma moratória nacional para interromper a destruição e que o governo assuma a responsabilidade que lhe cabe de um novo modelo social e econômico para os 20 milhões de amazônidas.

É urgente também que se implemente uma revolução científico-tecnológica na Amazônia, com a formação de técnicos de alta especialização nas mais diversas áreas científicas para ocupar e conhecer esse fantástico laboratório.

E uma outra revolução mais sutil, mas igualmente importante: o modo como encaramos a Amazônia, o que realmente queremos para a Amazônia. Os estoques de riquezas naturais que ela possui são cobiçados, sim, pelas potências internacionais e isso exige uma mudança de atitude, uma presença efetiva do estado, um grande esforço de toda a sociedade.

A Amazônia pode chegar ao ponto trágico da Mata Atlântica, que foi praticamente dizimada e antes recobria quase toda a faixa do litoral brasileiro.

Aí o velho Samuca, meu amigo do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, estará carregado de razão quando diz: “Estamos andando pela terra como um bando de cegos. Donde só se tira e não se põe, um dia tudo mais tem que se acabar”.

Meu trabalho carrega consigo o anseio de salvar o que ainda pode ser salvo. Ele clama por indignação e atitude. Só assim a Amazônia será salva.

Obrigado

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